1001338550

Foto: Divulgação

Presidente da entidade alerta para possíveis impactos da proposta de mudanças na escala 6×1 para o setor de bares e restaurantes
O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, esteve em Niterói na última quarta-feira (06/05) para uma reunião e almoço com empresários da cidade. Na ocasião, encontrou-se com Sandro Pietrobelli, presidente da Abrasel Leste Fluminense-RJ, que entregou um estudo desenvolvido pela FGV com um panorama do setor de alimentação fora do lar no Brasil, apresentando indicadores sobre a realidade do mercado de bares e restaurantes.
Durante o encontro, o presidente da Abrasel também abordou a proposta em discussão no cenário nacional sobre o fim da escala 6×1. Segundo ele, é necessário aprofundar o debate e realizar estudos técnicos mais detalhados sobre os impactos econômicos e operacionais da medida.
“Somos contrários ao fim da possibilidade de trabalhar seis dias consecutivos com um de descanso sem que haja um amplo estudo de impacto econômico e social. Em nenhum país existe a proibição da escala 6×1 por força de lei. Defendemos, sim, que o tema seja debatido com responsabilidade, analisando os efeitos de uma eventual redução da carga horária semanal.
Caso o Congresso aprove integralmente uma proposta nesse sentido, a sociedade precisa compreender que haverá impactos econômicos. Na visão do setor, a estimativa é de um aumento entre 7% e 8% nos preços praticados por bares e restaurantes para compensar os custos adicionais. Soma-se a isso um problema histórico da economia brasileira: a escassez de mão de obra qualificada. Com mais dias obrigatórios de folga, muitas empresas teriam dificuldade para preencher escalas, o que poderia intensificar a disputa por profissionais, especialmente nos grandes centros e entre empresas de maior porte.
Quando ampliamos o olhar para além do setor privado, o alerta permanece. Serviços públicos, como limpeza urbana, frequentemente operam dentro da lógica da escala 6×1. Sem essa flexibilidade, o poder público pode ser obrigado a reduzir a qualidade dos serviços ou aumentar significativamente os gastos públicos. Em alguns casos, os custos podem subir até 20%, pressionando ainda mais os orçamentos.

Existe também um importante efeito social nessa discussão. A promessa de mais tempo livre pode não se concretizar para todos. Muitos trabalhadores poderão ser atraídos para os grandes centros urbanos, onde estão os maiores empregadores e a maior demanda por mão de obra, passando a enfrentar deslocamentos mais longos. Ou seja, o tempo eventualmente economizado na jornada poderá acabar sendo perdido no trânsito — uma realidade já bastante conhecida nas grandes cidades.

Fonte: C Comunicação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *