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Foto/Divulgação: Freepik

Especialistas do CEJAM alertam para a sobrecarga emocional e reforçam a importância de uma rede de apoio

 

A maternidade é uma experiência de intensa transformação e, quando atravessada por questões relacionadas à saúde mental, pode tornar os desafios do dia a dia ainda mais complexos. A rotina com um bebê, marcada por mudanças constantes e excesso de estímulos, tende a impactar especialmente pessoas com maior sensibilidade sensorial ou necessidade de organização.      

De acordo com o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, as oscilações hormonais, a privação de sono e a carga emocional do período perinatal podem agravar sintomas preexistentes. 

“A imprevisibilidade das demandas, o alto volume de estímulos e a intensa carga mental podem gerar sobrecarga significativa, esgotamento e comprometer a regulação emocional. Quando sinais como irritabilidade intensa, dificuldade de organização ou isolamento começam a interferir no autocuidado ou no cuidado com o bebê, é fundamental procurar uma avaliação psiquiátrica”, orienta o especialista. 

Muitas mães, no entanto, enfrentam dificuldades para buscar ajuda, seja pelo estigma em torno da saúde mental ou pela sobrecarga vivida nesse período. Esse esforço para se adequar a um ideal social é o que a psicóloga Ana Paula Hirakawa, do Centro Especializado em Reabilitação IV CER M’Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), descreve como um fator de exaustão.  

“A mãe com um transtorno mental esgota sua energia tentando performar a ‘maternidade padrão’ esperada pela sociedade. Não é um mero cansaço, mas um esgotamento real, que pode levar a apagões emocionais ou reatividade extrema”, afirma. 

Nesse cenário, a culpa pode se tornar um elemento recorrente. “O diagnóstico pode dar um contorno a essa experiência, ajudando a reduzir leituras cruéis sobre si mesma e a diferenciar o que é parte de sua condição e o que resulta de exigências externas”, explica Hirakawa. 

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) corroboram essa realidade, indicando que cerca de 25% das mães no Brasil apresentam sofrimento psíquico no pós-parto, com a sobrecarga e a baixa rede de apoio como fatores de risco. 

Quando o cuidado inclui quem cuida 

Nas unidades gerenciadas pelo CEJAM, a Linha de Cuidado Materno Infantil propõe um olhar que integra a saúde mental ao acompanhamento físico desde o pré-natal. Segundo Edcley Soncin, gerente da UBS Horizonte Azul, também administrada pela OSS em parceria com a SMS-SP, “a  assistência materno-infantil não deve ser focada apenas na saúde física da mãe e do bebê, mas também no bem-estar emocional e social”. 

Ele explica que as equipes são orientadas a realizar uma escuta qualificada para identificar sinais de sobrecarga e, quando necessário, encaminhar a paciente para apoio psicológico, garantindo a continuidade do cuidado sem estigmatização. 

Para mães com transtornos neuropsiquiátricos, essa abordagem é especialmente relevante, pois reconhece as especificidades de sua vivência e amplia a capacidade de oferecer um cuidado mais sensível e efetivo.                 

Sobre o CEJAM  

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.  

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!  

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Fonte: Vitória Rosa

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