Benedita da Silva. Foto/Divulgação
Em encontro com mulheres na Mangueira, Benedita fala sobre necessidade de convivência harmoniosa entre diferentes crenças
“Temos que respeitar o sagrado dos outros, para que respeitem o nosso.” Foi com essa defesa da liberdade religiosa e da convivência harmoniosa entre diferentes crenças que a candidata ao Senado Benedita da Silva participou na noite desta terça-feira, 8, de um encontro com mulheres da Mangueira, realizado no auditório da Estação Primeira de Mangueira. O evento reuniu empreendedoras, lideranças comunitárias, integrantes da Velha Guarda e representantes do carnaval.
Evangélica, Benedita destacou que a fé não deve ser instrumento de divisão e ressaltou a importância da convivência entre evangélicos, católicos, praticantes de religiões de matriz africana, judeus e pessoas sem religião.
“Eu quero ter a liberdade de cultuar a Deus do jeito que eu acredito. E nós devemos respeitar o sagrado dos outros para que respeitem o nosso”, afirmou.
Segundo Benedita, as comunidades brasileiras são marcadas justamente pela diversidade. “Em uma comunidade, você encontra uma igreja batista, presbiteriana, católica, um terreiro, pessoas de diferentes religiões e também quem não quer seguir religião nenhuma. O importante é que cada um tenha liberdade e que a gente viva em união e harmonia”, disse.
A candidata lembrou ainda sua participação na Assembleia Constituinte e destacou a importância do reconhecimento da liberdade religiosa no Brasil. Para ela, garantir o direito à fé de cada cidadão é também defender a democracia e a liberdade.
Durante o encontro, Benedita, ao lado da candidata a deputada federal Zeidan (PT), também fez uma defesa enfática da cultura popular e das escolas de samba. Ela afirmou que o fato de ser evangélica não diminui sua ligação e seu respeito pelo carnaval e pelas manifestações culturais das comunidades.
“Às vezes, as pessoas pensam que, por eu ser evangélica, eu sou ignorante. Não sou. Pelo contrário, eu sou iluminada”, declarou, sendo aplaudida pelo público.
Para Benedita, uma escola de samba vai muito além do carnaval. “A escola de samba é uma verdadeira escola. É arte, música, união e talento. Cada bateria tem uma batida própria, criada pelo talento das nossas comunidades. Isso também é cultura nacional e precisa ser reconhecido como tal.”
A trajetória pessoal da candidata também foi lembrada durante o encontro. Benedita contou que iniciou sua vida pública em 1982, quando foi eleita vereadora da cidade do Rio de Janeiro, e falou sobre sua origem na comunidade do Chapéu Mangueira, onde viveu durante 57 anos.
“A favela não saiu de dentro de mim. O político que não reconhece de onde veio não sabe para onde vai”, afirmou.
Ela relembrou as dificuldades enfrentadas por moradores das favelas cariocas, como a falta de água, moradias precárias e os processos de remoção de comunidades. Para Benedita, sua experiência de vida é uma das razões que a levaram a colocar novamente seu nome à disposição para representar o Rio de Janeiro.
A candidata também destacou a importância da participação das mulheres na política e lembrou que elas são maioria entre o eleitorado brasileiro. Segundo ela, a presença feminina nos espaços de decisão é fundamental para a defesa das comunidades, da juventude, dos idosos, da cultura e dos direitos sociais.
Ao encerrar sua fala, Benedita voltou à mensagem de união entre os moradores das comunidades, independentemente de religião, time de futebol ou preferência cultural.
“Cada um tem a sua fé, o seu jeito de viver, o seu time e a sua cultura. O importante é que a gente viva bem, que a vizinha ajude a vizinha, que a gente converse e se respeite. Somos um povo forte, que resistiu à colonização, à escravidão e que continua lutando pelo direito de ser feliz e viver tranquilamente onde mora”, concluiu.
Fonte: Ascom
