Foto/Divulgação: Rafel Ribeiro/CBF
Por Guilherme Pinheiro
Carlo Ancelotti usa a preparação para a Copa do Mundo para ajustar a linha de defesa. Durante um treinamento recente, o comandante exibiu um vídeo com um erro do Wesley para todo o grupo. Em seguida, ele perguntou ao experiente Danilo Luiz qual atitude o colega deveria ter tomado no lance. Consequentemente, essa cobrança pública força um amadurecimento tático rápido.
O próprio jogador encara a metodologia rigorosa com extrema naturalidade. Segundo o atleta, o Ancelotti foca incansavelmente em corrigir minúcias defensivas sem inibir o talento individual:
“Uma conversa muito saudável, para agregar no meu futebol, ele sabe do meu potencial ofensivo, mas coloco na minha cabeça que, quando estiver bem fisicamente, estarei bem defensivamente e vice-versa. Me ajuda nos detalhes, de cercar, o momento certo de subir e ficar, tem conversado bastante comigo. Espero ajudar bastante no ataque e na defesa.”
Apesar da forte exigência na marcação, o técnico italiano confia no instinto do brasileiro. Por outro lado, ele afrouxa as amarras quando a equipe recupera a posse de bola. O talento natural precisa fluir para desmontar as retrancas adversárias. Logo, a instrução de beira de campo privilegia a simplicidade, como o camisa 2 explica:
“Me pede para ser eu mesmo. Não tem muita tática. Me coloca ali por saber o que posso fazer, é uma característica minha. No treino, eu estava mais ofensivo, mas é isso. Me coloca na frente e pede para ser feliz.”
Um torneio desse porte exige pragmatismo coletivo constante e o cenário de cada partida determinará a prioridade tática entre agredir o oponente ou proteger a própria área:
“Se eu começar jogando na estreia e ele pedir para ficar o jogo todo defendendo, eu vou ficar. Se pedir para ser o Wesley que sou, de atacar, vou atacar. Se pedir as coisas, vou fazer. Estou aqui pelo Brasil, para ajudar e não importa, se for para ficar 90, 100 minutos defendendo, vou ficar”, afirmou o jogador.
Agora, o Brasil coloca esses conceitos práticos à prova no próximo sábado (6). A equipe encara o Egito, às 19h (de Brasília), no Huntington Bank Field, em Cleveland. Portanto, este amistoso em solo americano representa a chance definitiva para afinar a engrenagem. Além disso, todos avaliarão se as duras lições de posicionamento surtiram o efeito desejado pelo treinador.
