Seminário da Neltur. Foto/Divulgação: Lucas Benevides
A temporada de observação de baleias em Niterói foi oficialmente aberta nesta sexta-feira (29), durante um workshop da Prefeitura que reuniu pesquisadores, operadores turísticos, mestres de embarcação, agências de turismo, guias e representantes da rede hoteleira. O encontro teve como objetivo discutir práticas sustentáveis, capacitação profissional e estratégias para fortalecer uma atividade que combina conservação ambiental, educação e desenvolvimento econômico.
Promovida pelo Projeto Jubarte com apoio da Prefeitura de Niterói, por meio da Neltur, a iniciativa integra uma estratégia desenvolvida nos últimos anos para consolidar a observação de cetáceos como uma política estruturada de turismo sustentável, alinhada à economia do mar e à valorização dos recursos naturais da cidade.
Niterói iniciou os estudos para a implantação do turismo estruturado de observação de baleias entre 2022 e 2023. Em 2025, segundo ano de operação organizada da atividade, mais de dois mil turistas participaram de expedições realizadas entre Niterói e Rio de Janeiro, muitas delas acompanhadas por pesquisadores embarcados.

“Experiências de contato com a natureza têm um poder transformador. Quando uma pessoa observa uma baleia em seu ambiente natural, ela volta sensibilizada e passa a refletir sobre a importância da preservação. Nosso objetivo é fazer com que esse turismo gere benefícios para a economia local, fortaleça a educação ambiental e, ao mesmo tempo, respeite os animais e o ambiente onde vivem”, destacou André Bento, presidente da Neltur, ao defender a consolidação de um modelo organizado e responsável de observação de baleias no litoral fluminense.
Segundo André Bento, o município custeou estudos de viabilidade e monitoramentos que permitiram estruturar a atividade de forma segura e sustentável. De acordo com ele, o aumento dos avistamentos de baleias próximas à costa tem consolidado a região como referência para o turismo de observação de cetáceos.
Durante o evento, profissionais do setor participaram de uma capacitação sobre turismo regenerativo, legislação de proteção aos cetáceos, regras de avistamento, ecologia e biologia das espécies. O treinamento também serviu como atualização para operadores que já atuam nas expedições realizadas no litoral fluminense.
A maior procura por capacitação também é vista como um reflexo do amadurecimento da atividade. Agências de turismo, proprietários de embarcações e mestres náuticos têm buscado formação para operar dentro de critérios ambientais e de segurança, ampliando a rede de profissionais preparados para atuar no segmento.
Thiago Ferrari, presidente do Instituto O Canal e diretor do Projeto Amigos da Jubarte, responsável pelo monitoramento científico e pelo ordenamento da atividade, destacou que o turismo de observação de cetáceos vem se consolidando internacionalmente como uma ferramenta de conservação associada ao desenvolvimento econômico.
“O turismo de observação de baleias e golfinhos gera benefícios socioambientais importantes, promovendo emprego e renda para comunidades costeiras, fortalecendo a educação ambiental e incentivando a proteção dos oceanos. Quando organizado de forma responsável, ele transforma conservação em oportunidade de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O avanço do segmento acompanha uma tendência mundial. Atualmente, mais de 20 milhões de pessoas participam anualmente de atividades de observação de baleias e golfinhos, movimentando cerca de US$ 3 bilhões por ano. Na América do Sul e no Brasil, o setor registra crescimento estimado em aproximadamente 10% ao ano.
Mais informações sobre os passeios de observação estão na plataforma “Quero Ver Baleia”, que reúne informações sobre as operadoras autorizadas e os roteiros disponíveis.
