Verônica Oliveira entrega o Diploma a Sérgio Soares e Renata Cardoso faz entrega do. Diploma a Evaldo Nascimento. Foto/Divulgação: Ademir Rebello
O Auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Icaraí, recebeu nesta quarta-feira (08/07/2026) mais uma edição do Fórum da Memória do Jornalismo Fluminense, iniciativa promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPRJ) com o objetivo de preservar a história da imprensa no estado por meio dos relatos de profissionais que ajudaram a construir o jornalismo fluminense.

Os convidados desta edição foram os jornalistas Sérgio Soares e Evaldo Nascimento, profissionais com décadas de atuação na imprensa regional e estadual, que compartilharam suas trajetórias, experiências marcantes e reflexões sobre as transformações do jornalismo brasileiro diante da revolução tecnológica e da era digital.
O encontro reuniu jornalistas e profissionais da comunicação, consolidando o Fórum como um importante espaço de valorização da memória da imprensa e do legado dos profissionais que fizeram história em redações de jornais, rádios e assessorias de comunicação.
Durante a abertura, o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Mário de Sousa, explicou que o projeto vai além da realização de palestras. Cada edição consiste em um registro da trajetória dos convidados, formando um acervo histórico que será transformado em livro, reunindo depoimentos de jornalistas que marcaram diferentes épocas da comunicação fluminense.

Segundo o presidente do Sindicato, a iniciativa busca preservar experiências profissionais, histórias de bastidores e fatos históricos vivenciados por jornalistas que acompanharam importantes acontecimentos políticos, culturais e sociais do estado do Rio de Janeiro.
Com uma carreira construída em veículos como Jornal Fluminense, Jornal do Brasil, O Dia e, atualmente, no Jornal São Gonçalo, Sérgio Soares emocionou o público ao narrar episódios marcantes de sua vida profissional.
Entre os relatos, destacou coberturas policiais de grande repercussão, como entrevistas exclusivas com criminosos procurados pela polícia, negociações durante situações de crise envolvendo reféns e reportagens que lhe renderam reconhecimento nas principais redações do país.
Sérgio também falou sobre sua atuação no jornalismo comunitário, na cobertura do Carnaval de Niterói e São Gonçalo e sobre sua paixão pela música e pelo samba, áreas nas quais também desenvolveu importante trabalho como compositor e assessor de imprensa de escolas de samba da região.
Ao abordar os desafios atuais da profissão, o jornalista ressaltou que a tecnologia e a inteligência artificial representam ferramentas importantes para auxiliar o trabalho jornalístico, mas defendeu que nada substitui a apuração rigorosa, a capacidade de observar os fatos e a sensibilidade do repórter na construção da notícia.
Também homenageado pelo Fórum, Evaldo Nascimento relembrou sua trajetória iniciada no Jornal Fluminense, passando posteriormente por O Globo, onde atuou no tradicional caderno de bairros, além de exercer funções como editor, chefe de reportagem e assessor de comunicação.
Em seu depoimento, destacou coberturas marcantes, entrevistas com personalidades como o escritor português José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, além de reportagens sobre problemas urbanos, movimentos comunitários e grandes acontecimentos da Região Metropolitana.
Evaldo ressaltou a importância das antigas redações como centros de convivência intelectual, política e cultural, lembrando o ambiente de intensa troca de experiências entre jornalistas, fotógrafos, diagramadores e editores.
Segundo ele, apesar das mudanças provocadas pela internet e pelas redes sociais, os princípios fundamentais da profissão permanecem os mesmos: responsabilidade, ética, apuração cuidadosa e compromisso com a verdade.
Outro tema abordado durante o encontro foi a necessidade de preservar a memória dos profissionais que ajudaram a construir a imprensa fluminense ao longo das últimas décadas.
Os participantes lembraram colegas que marcaram época em jornais da região, discutiram a evolução das redações e destacaram o papel do jornalismo regional na cobertura dos acontecimentos que influenciaram diretamente a vida da população de Niterói, São Gonçalo e demais municípios do estado.
Também foi apresentada a proposta de publicação de um livro reunindo os depoimentos gravados durante o Fórum, fortalecendo o compromisso do Sindicato em preservar a história do jornalismo fluminense para pesquisadores e futuras gerações.
A participação de Sérgio Soares e Evaldo Nascimento reforçou a importância do jornalismo profissional como instrumento de registro da história e de defesa da democracia.
Com relatos que atravessam mais de quatro décadas de profissão, os dois jornalistas ofereceram ao público um panorama da evolução da imprensa, desde o período das máquinas de escrever e dos grandes jornais impressos até o atual cenário digital, marcado pela velocidade da informação e pelo uso crescente de novas tecnologias.
Ao final do encontro, ficou evidente que preservar a memória do jornalismo significa também preservar a história das cidades, das instituições e da própria sociedade, missão que o Fórum da Memória do Jornalismo Fluminense vem consolidando a cada nova edição.
Fonte: Ascom
