Foto/Divulgação: Erick Quintanilha
No Dia Mundial Sem Carro, dados reforçam a importância da integração entre ônibus, trens, metrô, barcas e bicicletas.
Deixar o carro na garagem e seguir de bicicleta, ônibus, trem, metrô, barca ou até mesmo a pé. No Dia Mundial Sem Carro, celebrado nesta terça-feira (22/09), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) chama a atenção para alternativas capazes de reduzir os congestionamentos, melhorar a qualidade do ar e diminuir os impactos ambientais provocados pelo excesso de veículos nas ruas. Leis aprovadas pelo Parlamento fluminense incentivam o transporte coletivo e a integração entre diferentes modais, facilitando os deslocamentos de quem estuda, trabalha ou precisa passar por mais de um município diariamente.
Nessa esteira, um dos modais que apresentou crescimento foi o ferroviário. No primeiro semestre de 2026, metrô, trens, VLTs e monotrilhos transportaram 1,30 bilhão de passageiros no Brasil, segundo o balanço da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). O resultado representa um aumento de 33,85 milhões de usuários, em comparação com o mesmo período de 2025.
Rio de Janeiro e São Paulo concentraram 97,3% desse crescimento, o equivalente a 35,45 milhões de passageiros adicionais. Os números demonstram a importância dos dois estados para o transporte metroferroviário brasileiro e reforçam a necessidade de investimentos na modernização, ampliação e integração dos sistemas.
Apesar do avanço, a recuperação não ocorreu de maneira uniforme no país. Para que a maioria das pessoas deixe o carro em casa, especialistas defendem redes conectadas, intervalos menores, estações acessíveis e integração entre trens, metrô, ônibus, barcas, VLT e bicicleta. No Rio, onde muitos passageiros utilizam mais de um modal na mesma viagem, essa conexão é essencial para reduzir o tempo e o custo dos deslocamentos.
No cenário mundial, o Brasil está entre os dez maiores produtores de veículos, ocupando a nona posição. O dado reforça o desafio de equilibrar o uso do automóvel com investimentos em transporte coletivo, ciclovias e deslocamentos a pé.
Leis incentivam a integração
Entre as iniciativas aprovadas pela Alerj está a Lei 5.628/09, que criou o Bilhete Único Intermunicipal e permitiu ao passageiro combinar ônibus, vans legalizadas, trens, metrô e barcas mediante o pagamento de uma tarifa integrada.
A Lei 7.123/15 atualizou as regras do benefício e, em 2026, a Lei 11.272/26 ampliou essa política e adequou a integração à composição atual da Região Metropolitana, formada por 22 municípios. As normas beneficiam principalmente trabalhadores e estudantes que precisam utilizar mais de um transporte no mesmo trajeto.
O Parlamento também discute iniciativas destinadas à implementação de bicicletas com a integração delas a estações e terminais e ao aumento da segurança dos ciclistas. As propostas ajudam a consolidar a bicicleta não apenas como opção de lazer, mas como meio de transporte para o trabalho, estudo e outras atividades cotidianas.
Do volante para o guidão
Para Tadeu Campanário, de 39 anos, técnico da Petrobras, morador de Tijuca, a bicicleta deixou de ser apenas uma opção de lazer e passou a fazer parte do caminho até o trabalho.
“Comecei pedalando duas vezes por semana e hoje uso a bicicleta quase todos os dias. Economizo combustível, faço atividade física e não perco tempo procurando estacionamento. Ainda precisamos de ciclovias conectadas e locais seguros para deixar as bicicletas”, relata.
Mesmo tendo automóvel, Patrícia Baptista, de 56 anos, psicóloga, passou a combinar ônibus e metrô durante a semana. A mudança ocorreu depois que ela calculou os gastos com combustível, estacionamento e manutenção.
“Vou de ônibus até a estação e depois sigo de metrô. Além de gastar menos, não enfrento o estresse de dirigir no congestionamento. Com segurança e boa integração, mais pessoas poderiam deixar também o carro em casa”, afirma.
O Dia Mundial Sem Carro propõe uma reflexão que vai além de 24 horas. Para transformar escolhas individuais em mudanças permanentes, é necessário unir legislação, infraestrutura e qualidade dos serviços. Ao promover a integração entre os modais, a Alerj contribui para uma mobilidade mais acessível, eficiente e sustentável no Estado do Rio.
