Jornalista Octávio Guedes. Foto/Divulgação
O livro descreve como um corretor de seguros sugeriu a Juscelino Kubitschek a construção de Brasília; A rotina da família real no Rio de Janeiro no início do Século XIX só se tornou pública graças a um padre com faro de repórter; e, um deputado folclórico e sem a menor relevância política levou o Partido Comunista Brasileira a entrar na ilegalidade.

Com pesquisas de Tito Guedes, ilustrações de Bruno Drummond, o livro é apresentado em três formatos, físico, e-book e audiobook com exclusividade no aplicativo Skeelo. Além do livro, há comentários bem-humorados do próprio Octávio Guedes.
Em “Heróis por acaso” (Editora Máquina de Livros), o jornalista Octavio Guedes percorre as frestas da História para revelar personagens curiosos, injustiçados, alguns até condenáveis, que, sem premeditar, mudaram os rumos do Brasil.
Octavio mostra que, por trás de grandes acontecimentos do país e de personagens celebrados nos livros escolares, há também imprevistos, desvios de percurso e protagonistas improváveis. Em “Heróis por acaso”, o desafio foi justamente remontar a história dessas figuras quase invisíveis. Para isso, ele e o pesquisador Tito Guedes (“que, por acaso, é meu filho”, diz Octavio) vasculharam reportagens antigas, livros, biografias e documentos.
– Foi um trabalho de mineração jornalística. Quanto menos conhecido era o personagem, mais espalhados estavam seus vestígios – conta.
Octavio Guedes é carioca, niteroiense de paixão, botafoguense e comentarista de política da GloboNews, onde tenta entender e explicar a República brasileira. Começou sua carreira em Niterói, no Jornal A Tribuna, trabalhou boa parte de sua carreira em redações de jornais, como “O Globo”, “Jornal do Brasil” e “Extra”. Comandou ainda um programa diário na Rádio CBN sobre o Rio de Janeiro. Ganhou o Prêmio Esso três vezes e o internacional Awards of Excellence, da Society for News Design. Escreveu, com Daniel Sousa, “Essa República vale uma nota”, publicado em 2019 pela Editora Máquina de Livros.
Entrevista com Guedes
1. Quando você percebeu que o Brasil tinha tantos heróis por acaso?
Cresci ouvindo que o Brasil foi descoberto por acaso. Mas quando Cabral saía de cena, entravam heróis de bronze montados a cavalo nas praças. Eu me perguntava: onde foi parar o acaso? Como sempre devorei livros de história e biografias, meu olhar sempre estava em busca dele, até que um dia me acendeu uma luz: tem um livro aí. Foi por acaso.
2. Como conseguiu levantar informações e detalhes sobre tantos personagens desconhecidos?
Foi um trabalho de mineração jornalística. Quanto menos conhecido o personagem, mais espalhados estão os vestígios dele. Eu e Tito Guedes, que fez o trabalho de pesquisa e, por acaso, é meu filho, fomos atrás de jornais antigos, livros, biografias, documentos, discursos e entrevistas.
3. Qual figura de “Heróis por acaso” tem a trajetória mais surpreendente?
Talvez seja o marujo Marcelino Rodrigues Menezes. Quase ninguém conhece seu nome, embora ele esteja na origem de um dos episódios mais marcantes da História do Brasil: a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido. Marcelino praticamente desapareceu da memória nacional. Ele não planejou uma revolução e muito menos imaginava que seu castigo, provocado por duas garrafas de cachaça, seria o estopim para uma rebelião que humilhou a República e expôs a crueldade de um país tão desigual.
4. O Brasil é injusto com os personagens que estão no livro?
O livro não pretende transformar todos em grandes heróis nacionais. Alguns são heróis, outros são anti-heróis e há aqueles que simplesmente estavam no lugar certo – ou errado – na hora certa. A grande satisfação desse livro foi falar de Sua Excelência o acaso.
5. Usar o bom humor, como você faz no livro e na TV, é uma forma de chamar a atenção para a História do Brasil de antigamente e de hoje em dia?
Assim como a política, a História do Brasil tem acontecimentos tão absurdos, personagens tão improváveis e situações tão inacreditáveis que muitas vezes o humor está no próprio fato.
Não é preciso inventá-lo. Meu trabalho é encontrá-lo e usá-lo como isca para um comentário ou uma crônica.
