Dimas Gadelha. Foto/Divulgação
Escrito por quem vive a política por dentro, “Sombras do Poder” expõe as engrenagens silenciosas da corrupção em Santa Paula – e mostra que, no jogo do poder, não vence quem está certo, mas quem permanece
O que acontece quando a verdade incomoda e o poder decide que ela não deve passar? Esta é a pergunta central de Sombras do Poder (Apologia Brasil, 2026), o thriller político de estreia do médico sanitarista e deputado federal Dimas Gadelha (PT-RJ).
Ambientada na fictícia Santa Paula, a obra acompanha jornalistas que recebem uma mensagem anônima de uma fonte ligada ao prefeito. O que parecia uma denúncia documental se transforma em uma corrida contra o tempo – e contra um sistema que não hesita em fazer desaparecer quem ousa denunciá-lo. Entre contratos superfaturados, vídeos comprometedores e uma cidade que sussurra seus escândalos em vez de gritá-los, o romance revela, sem ilusões, que o poder em Santa Paula não cai: ele troca a máscara e permanece.
Com uma prosa cirúrgica e seca, o autor – que não apenas observa a política, mas está dentro dela – constrói personagens que transitam por zonas morais cinzentas. Da professora que há quarenta anos tira do pouco que tem para alimentar uma aluna ao capanga que decide não puxar o gatilho, passando pela jornalista que aprende que a verdade, sozinha, nunca é suficiente.
A experiência de Gadelha nos bastidores da política confere à narrativa uma autenticidade rara. O que poderia ser apenas ficção se revela um espelho de práticas reais: contratos fantasmas, uso instrumental da fé, manipulação da imprensa e violência política.
Sombras do Poder é uma leitura indispensável para quem quer entender como a máquina política se perpetua – e como a resistência, muitas vezes, está no gesto silencioso de quem se recusa a aceitar o errado como normal.
Fonte: Ascom
