unnamed

Foto/Divulgação: Octacilio Barbosa

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), 51% da população LGBTQIAPN+ relata ter sofrido algum tipo de violência moral, como xingamentos e humilhações. E quase 27% afirma ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas

“Fazer parte da população LGBTQIAPN+ no Brasil ainda é muito difícil”. A frase pertence a Kayete Fernandes, atriz e radialista mineira, que desde a década de 80, rompe barreiras e quebra preconceitos para exercer o direito de existir como realmente é na nossa sociedade.

Kaká, como é conhecida, conta como foi ingressar no mercado de trabalho. “Nos anos 80, quando eu comecei, era muito desafiador. Tive gerentes homofóbicos, fui perseguida. Tive que provar que merecia estar ali. Hoje, já temos empresas que nos acolhem, com a criação do setor da diversidade e não precisamos usar máscaras, fingindo ser quem não é. E a gente resiste sempre”, afirma.

A artista reflete sobre o que avançou em termos de conquistas, ao longo dos anos, e o que o país ainda precisa melhorar na garantia de direitos. “Hoje, podemos adotar, temos a internet que podemos usar como ferramenta para procurar por justiça. Mas, ainda pertencemos a um país muito violento. Acredito que estamos caminhando a passos lentos, mas cada conquista é importante e deve ser celebrada. Precisamos de mais diálogo e respeito, porque respeito é bom e todo mundo gosta”, conclui.

Números Alarmantes

Os números reforçam o posicionamento e a preocupação de Kayete. Infelizmente, muitas pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ sofrem diversas violações e, em alguns casos, perdem a vida, no nosso país. De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas da comunidade LGBT+ em 2025. Isso significa que, a cada 34 horas, uma pessoa desse grupo foi assassinada no país. Pegando o recorte do estado do Rio, segundo com o Instituto de Segurança Pública, (ISP), 51% da população LGBTQIAPN+ relata ter sofrido algum tipo de violência moral, como xingamentos e humilhações. E quase 27% afirma ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas.

Alerj no combate a LGBTfobia

A Alerj está atenta a este cenário preocupante. Desde 2021, O Rio Sem LGBTIfobia ganhou força de lei, através de um projeto aprovado pela Casa. Assim, deixou de funcionar por decreto, como um programa de governo, e passou a ser um programa do estado. O Rio Sem LGTBfobia tem a finalidade de desenvolver políticas públicas para o combate à violência e discriminação de lésbicas, gays, travestis, transexuais e pessoas intersexuais. Os Centros de Cidadania LGBT, em todo o estado, oferecem acolhimento a pessoas em situação de violência e também àquelas que buscam orientação e informações sobre seus direitos. Os equipamentos disponibilizam atendimento jurídico, social e psicológico para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneras e demais pessoas LGBTQIA+. Além disso, atuam como espaços de promoção da cidadania e de mobilização para o fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento à LGBTfobia.

A Alerj também possui a Comissão de Combate às Discriminações. O objetivo do colegiado é promover ações legislativas para combater qualquer tipo de discrimanção, incluindo a LGBTfobia. Através do telefone 0800 282 0802, a população pode realizar denúncias e também solicitar orientações. Há também a lei Lei nº 9.276/2021, aprovada pelo parlamento que determina a elaboração de relatórios estatísticos sobre discriminação
por raça, religião, classe social e também por sexualidade, além da criação de registros específicos na Polícia Civil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *