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O uso excessivo de celulares, tablets, computadores e outros dispositivos eletrônicos tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas em saúde ocular. Cada vez mais presentes na rotina das crianças, as telas podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento de problemas visuais, tornando fundamental a atenção dos pais e responsáveis aos sinais de alerta e à adoção de hábitos mais saudáveis.
Nesta sexta-feira (10/07), Dia da Saúde Ocular, o oftalmologista Márcio Pinto alerta que o excesso de tempo diante das telas tem contribuído para o crescimento de diversas alterações visuais entre crianças e adolescentes.
“O uso excessivo de tela tem causado um aumento de miopia, astigmatismo, olho seco e fadiga ocular na infância. Estudos recentes mostraram que o uso excessivo de telas é um fator de risco importante para o desenvolvimento e progressão da miopia. Além disso, estima-se que até 2050, 40% das crianças terão miopia”, destacou o especialista.
Segundo o médico, alguns comportamentos podem indicar que a criança está enfrentando dificuldades visuais. Aproximar excessivamente o celular do rosto, coçar frequentemente os olhos, apresentar vermelhidão ocular, dificuldade para enxergar objetos distantes e piscar repetidamente são alguns dos sinais que merecem atenção dos responsáveis.
Limites e prevenção
De acordo com o oftalmologista, a distância ideal entre o rosto e o celular deve ser de aproximadamente 40 centímetros. O tempo de exposição às telas também deve variar conforme a faixa etária.
“A recomendação é que crianças de até dois anos não tenham exposição às telas. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser limitado a uma hora por dia. Acima dos cinco anos, o uso deve variar entre uma e duas horas diárias, preferencialmente fracionadas em períodos de até 15 minutos”, explicou.
O especialista ressalta ainda que a visão infantil continua em desenvolvimento durante os primeiros anos de vida, tornando essencial o acompanhamento familiar. “É necessário que os familiares limitem o uso dos celulares, tablets e computadores, estimulem as crianças a brincarem ao ar livre e mantenham consultas oftalmológicas regulares”, acrescentou.
Quando o excesso de telas afeta a rotina
A mãe Bruna Souza conhece de perto os impactos que o uso excessivo de telas pode causar. Sua filha, Alice Souza, precisou passar a usar óculos após apresentar miopia e astigmatismo.
“Hoje em dia, a gente mantém uma rotina bem restrita sobre o uso de telas. Nós não tínhamos essa noção de que poderia prejudicar tanto a visão dela. Ela passava de cinco a seis horas usando telas. O meu conselho aos pais é restringir mais o uso, sempre levar ao oftalmologista, fazer exames sempre que for necessário e estar do lado, olhando e vigiando o tempo de tela, porque é muito importante”, relatou.
Bruna conta que os primeiros sinais surgiram quando a filha começou a apresentar coceira constante nos olhos. “O problema visual dela hoje em dia é por excesso de tela. O médico recomenda apenas duas a três horas por dia. Onde ela vai, precisa estar com os óculos, senão tem dificuldade para enxergar”, afirmou.
Alice também lembra das dificuldades enfrentadas antes do diagnóstico. “Eu tinha dificuldade para ler na escola, na rua e em outros lugares”, contou.
Saúde ocular também é pauta na Alerj
A preocupação com a saúde dos olhos também está presente na legislação fluminense. Em 2023, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a Lei Estadual nº 10.168, posteriormente sancionada pelo Governo do Estado, que instituiu o Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, e a Semana Verde de Conscientização sobre a Saúde Ocular.
A legislação tem caráter educativo e de conscientização, estabelecendo uma política permanente de sensibilização sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e acesso à informação sobre doenças e hábitos que podem comprometer a visão.
Em um cenário em que celulares, tablets e computadores fazem cada vez mais parte da infância, especialistas reforçam que o equilíbrio entre tecnologia, acompanhamento médico e atividades ao ar livre é fundamental para preservar a saúde ocular das novas gerações.
