Foto/Divulgação:
Sintomas comuns da gestação podem mascarar a doença e atrasar o tratamento cirúrgico, alertam pesquisadores
A apendicite aguda é a principal causa de cirurgia abdominal não obstétrica durante a gravidez, atingindo entre 0,04% e 0,2% das gestações. Apesar de rara, a condição pode trazer riscos sérios para a mãe e para o feto quando o diagnóstico demora a acontecer.
De acordo com uma investigação partilhada pela revista Qualis A Open Minds (propriedade do CPAH, sob gestão técnica da Editora Atena), o principal obstáculo está na semelhança entre os sinais da apendicite e as alterações normais da gravidez, como náuseas, vômitos e desconforto abdominal.
Corpo em transformação, diagnóstico mais difícil
O estudo, conduzido por Stefhani Sampaio da Silva e uma equipe de pesquisadoras ligadas a universidades como a Católica de Pelotas e a de Caxias do Sul, explica que o crescimento do útero desloca o apêndice para cima, principalmente no segundo e no terceiro trimestres. Com isso, a dor deixa de se concentrar no local clássico, a fossa ilíaca direita, e passa a aparecer no flanco ou no hipocôndrio direito.
Outro complicador é o aumento natural dos glóbulos brancos durante a gestação, o chamado leucograma fisiológico da gravidez, que reduz a utilidade dos exames de sangue para diferenciar uma inflamação real de uma adaptação normal do corpo.
O papel dos exames de imagem
Diante dessas dificuldades, os exames de imagem se tornam decisivos. Segundo a pesquisa, a ultrassonografia costuma ser o primeiro exame solicitado, por ser segura, acessível e livre de radiação ionizante. Ainda assim, sua sensibilidade cai à medida que a gestação avança, já que fica mais difícil visualizar o apêndice.
Nesses casos, a ressonância magnética vem ganhando espaço por oferecer alta precisão diagnóstica sem riscos comprovados para o feto, sendo indicada quando a ultrassonografia não é conclusiva.
Cirurgia continua sendo o tratamento definitivo
O tratamento da apendicite em gestantes segue sendo cirúrgico. A apendicectomia deve ser realizada assim que o diagnóstico é confirmado, para evitar a evolução do quadro para perfuração e peritonite.
A técnica laparoscópica se consolidou como opção segura em qualquer trimestre da gestação, trazendo:
- Menos dor no pós operatório
- Recuperação mais rápida
- Menor tempo de internação
- Menor risco de infecção no local da cirurgia
Durante o procedimento, cuidados extras são necessários, como o posicionamento adequado da gestante para evitar compressão de vasos sanguíneos e o controle rigoroso da pressão abdominal.
Atraso no diagnóstico eleva risco de complicações
Segundo os autores, quando a apendicite evolui para perfuração, aumentam as chances de aborto espontâneo, trabalho de parto prematuro e sofrimento fetal. Por isso, o texto reforça que o atraso no diagnóstico é o principal fator de mau prognóstico tanto para a mãe quanto para o bebê, o que reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar envolvendo obstetras, cirurgiões e radiologistas.
Este texto tem caráter informativo, baseado em estudo científico, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde qualificado. Gestantes com dor abdominal persistente devem procurar avaliação médica imediata.
Fonte: iMF Press Global
