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Gatos costumam ser associados à independência e à capacidade de cuidar de si mesmos. Essa característica, porém, pode fazer com que alguns sinais importantes passem despercebidos pelos tutores.
Flávio Barca, médico veterinário e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade Unopar, explica que, desconforto, medo ou estresse são refletidas em mudanças sutis no comportamento.
“Um gato que passa a se esconder mais, mia de maneira diferente, evita contato, demonstra irritabilidade ou apresenta alterações no uso da caixa de areia não está necessariamente fazendo “manha”. Esses comportamentos podem estar relacionados a mudanças ambientais, estresse, necessidades não atendidas ou até problemas de saúde que precisam de avaliação veterinária”, alerta.
Flávia ressalta que é essencial que os tutores conheçam a linguagem comportamental dos felinos, observem a fim de conhecerem quando é necessário procurar ajuda profissional.
“Conviver com um gato exige aprender a observar pequenas mudanças. Nem todo comportamento diferente significa doença, assim como nem todo comportamento aparentemente estranho é “manha”. O mais importante é olhar para o conjunto: o que mudou, quando mudou e quais outros sinais apareceram ao mesmo tempo?”, alerta.
O especialista ressalta ainda, que é importante evitar diagnósticos por conta própria. “Comportamentos semelhantes podem ter causas completamente diferentes, e somente um médico-veterinário poderá avaliar adequadamente a saúde do animal”, destaca.
Por fim, Flávio aponta sete erros ao interpretar o comportamento do gato que podem esconder necessidades importantes. Confira:
1. Interpretar o isolamento apenas como “jeito do gato”
É verdade que muitos gatos gostam de momentos de tranquilidade e de ter espaços próprios. Porém, quando um animal que costumava interagir passa a se esconder com frequência ou evita sistematicamente pessoas e outros animais, é importante observar a mudança.
O isolamento pode estar relacionado a medo, estresse ou desconforto físico. Gatos também podem esconder sinais de doença, e uma alteração repentina no comportamento merece atenção.
O cuidado: mais importante do que perguntar se o gato costuma ser reservado é perceber se houve uma mudança no padrão habitual daquele animal.
2. Confundir agressividade repentina com “mau comportamento”
Arranhar ou morder pode fazer parte do comportamento natural dos gatos, especialmente durante brincadeiras. Entretanto, uma mudança repentina de comportamento, principalmente em um animal que antes era dócil, não deve ser automaticamente interpretada como agressividade ou falta de educação.
Dor, medo, estresse e situações que provocam insegurança podem modificar a maneira como o gato reage ao contato.
O cuidado: não punir o animal antes de compreender o motivo da mudança. Se o comportamento for novo, frequente ou intenso, uma avaliação veterinária pode ajudar a investigar possíveis causas.
3. Achar que miados excessivos são apenas uma tentativa de chamar atenção
Cada gato possui uma forma própria de se comunicar, e alguns são naturalmente mais vocais. O problema está quando a vocalização muda de frequência, intensidade ou padrão.
Miados persistentes podem estar relacionados a busca por atenção, fome, alterações ambientais, estresse ou outras necessidades. Em determinados casos, também podem acompanhar problemas de saúde.
O cuidado: observe quando os miados acontecem, em quais situações e se surgiram junto com outras mudanças de comportamento.
4. Considerar arranhaduras apenas como destruição
Arranhar é um comportamento natural e importante para os gatos. Além de contribuir para a manutenção das unhas, também está relacionado à comunicação e à marcação do território.
O problema não é o gato arranhar, mas quando o tutor tenta simplesmente impedir esse comportamento sem oferecer uma alternativa adequada.
O cuidado: disponibilize arranhadores em locais estratégicos, especialmente próximos aos espaços que o gato costuma frequentar. Se houver uma mudança muito intensa no comportamento de arranhar, também vale observar se existem alterações no ambiente que possam estar gerando estresse.
5. Tratar alterações na caixa de areia como “vingança”
Esse talvez seja um dos erros mais importantes.
Quando um gato começa a urinar ou defecar fora da caixa, interpretar imediatamente o comportamento como vingança ou desobediência pode fazer com que uma necessidade importante seja ignorada.
Alterações no uso da caixa podem estar relacionadas a problemas de saúde, estresse, mudanças no ambiente, localização inadequada da caixa, tipo de areia ou questões relacionadas à própria rotina do animal.
O cuidado: uma alteração persistente ou repentina merece investigação. O tutor deve observar também frequência, quantidade e aspecto da urina e das fezes e conversar com um médico-veterinário quando necessário.
6. Acreditar que mudanças na alimentação são apenas “frescura”
Gatos podem ser seletivos com alimentos, mas alterações importantes no apetite não devem ser banalizadas.
Recusar uma alimentação habitual, comer muito menos ou apresentar mudanças persistentes no interesse pela comida pode indicar que existe algo diferente acontecendo.
O cuidado: observe também ingestão de água, peso, nível de atividade e outros comportamentos. Em caso de alteração significativa ou persistente, procure orientação veterinária.
7. Esperar que o gato demonstre claramente quando está doente
Talvez o maior erro seja acreditar que, se o gato estivesse doente, seria evidente. Os felinos podem apresentar sinais bastante discretos. Mudanças no sono, na interação, na higiene, no apetite, na movimentação ou na utilização da caixa de areia podem ser mais importantes do que parecem. Por isso, conhecer o comportamento habitual do animal é uma das melhores ferramentas de prevenção.
Fonte: Deiwerson Damasceno
