Estudos científicos apontam que viagens com mais de quatro horas de duração, de avião, carro, ônibus ou trem, podem aumentar de forma significativa a chance de trombose venosa. Foto/Divulgação: Freepik
Especialista explica porque ficar parado por muito tempo é perigoso e ensina medidas simples para viajar com segurança
Uma viagem de ônibus até o litoral, um voo internacional, um trajeto de carro que atravessa o país. Em comum, todas essas situações têm um detalhe que costuma passar despercebido: horas seguidas sentado, com as pernas dobradas e quase sem se mexer. Para o sistema circulatório, esse conforto aparente pode ser um risco. A trombose acontece quando se forma um coágulo dentro de um vaso sanguíneo, o que dificulta ou bloqueia a passagem do sangue. Quando ocorre nas veias profundas das pernas, é chamada de trombose venosa profunda (TVP).
O perigo maior é que parte do coágulo se solte e viaje até os pulmões, causando a embolia pulmonar, uma condição grave que pode levar à morte. Estudos científicos apontam que viagens com mais de quatro horas de duração, de avião, carro, ônibus ou trem, podem aumentar de forma significativa a chance de trombose venosa. Em algumas pesquisas, o risco chega a ser cerca de duas vezes maior do que o de quem não viajou.
A explicação está na fisiologia do corpo. As veias das pernas dependem da contração dos músculos da panturrilha para empurrar o sangue de volta ao coração. Quando ficamos muito tempo sentados, esse mecanismo praticamente para, e o sangue circula mais lentamente nos membros inferiores, o que favorece a formação de coágulos. A desidratação, comum em viagens, e a pressão do assento sobre a parte de trás das coxas agravam o quadro.
“A panturrilha funciona como uma segunda bomba para o coração. Quando a pessoa passa horas sem movimentar as pernas, essa bomba deixa de trabalhar e o sangue fica mais lento nas veias. É nesse cenário que o risco de trombose aumenta”, explica Solange Copetti, coordenadora do curso de Fisioterapia da Afya Centro Universitário de Pato Branco.
Segundo ela, o risco não é igual para todos. “Pessoas com histórico pessoal ou familiar de trombose, obesidade, gestantes, mulheres que usam anticoncepcionais ou terapia hormonal, pacientes em recuperação de cirurgia, fumantes e idosos merecem atenção redobrada. Mas qualquer pessoa pode ser afetada, inclusive jovens saudáveis que passam muitas horas sem se movimentar”, afirma a professora.
Prevenção começa no assento
A boa notícia é que boa parte dos cuidados é simples e está ao alcance de todos. Para Solange, o principal é manter a circulação ativa durante o trajeto.
“Não é preciso fazer nada complicado. Sempre que possível, levante e caminhe a cada uma ou duas horas. Se isso não for possível, como em um voo ou em um carro, faça exercícios sentado: flexione e estenda os tornozelos, faça círculos com os pés e contraia as panturrilhas. Esses movimentos ajudam o sangue a retornar ao coração”, orienta.
Cuidados para viajar com mais segurança:
- Movimente os pés e os tornozelos com frequência, mesmo sentado.
- Levante e caminhe a cada uma ou duas horas, quando possível. Em viagens de carro, programe paradas.
- Beba água ao longo do trajeto e evite o consumo excessivo de álcool.
- Use roupas confortáveis e folgadas, sem apertar cintura ou pernas.
- Evite cruzar as pernas por longos períodos.
- Pessoas com fatores de risco devem consultar um médico antes de viajar, pois o uso de meias de compressão e outras medidas pode ser indicado.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
A trombose nem sempre dá sinais claros, mas alguns sintomas pedem atenção. Entre eles estão inchaço em uma das pernas, dor ou sensibilidade na panturrilha, vermelhidão e sensação de calor na região. Em caso de embolia pulmonar, podem surgir falta de ar repentina, dor no peito, tosse e batimentos acelerados.
“Se houver qualquer um desses sintomas, durante a viagem ou nos dias seguintes, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz”, reforça Solange.
Para a coordenadora do curso de Fisioterapia da Afya de Pato Branco, o Dia Mundial da Trombose é uma oportunidade de levar o tema para além dos consultórios.
“Muita gente só descobre que a trombose é um risco real depois que ela acontece. Informar a população sobre a relação entre imobilidade, viagens e saúde vascular é uma forma de prevenção. E a fisioterapia tem papel importante nisso, seja orientando hábitos e exercícios, seja na reabilitação de quem já passou por um episódio”, conclui Solange.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
Fonte: Rodrigo Bortot
