Foto/Divulgação: Magnific
Dor e inchaço em uma das pernas, falta de ar súbita e dor no peito estão entre os sinais de alerta
Com a chegada do bebê, grande parte da atenção da família e da rotina de cuidados passa naturalmente a se concentrar no recém-nascido. Para a pessoa gestante, porém, o pós-parto é um período de recuperação e de mudanças importantes no organismo. Entre as condições que exigem atenção nessa fase, está o tromboembolismo venoso, que inclui a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar.
A obstetra e gerente médica do Hospital Maternidade Paulino Werneck, Dra. Claudia Ribeiro, explica que, durante a gestação, o organismo passa por alterações que favorecem a coagulação do sangue, mecanismo importante para reduzir o risco de hemorragias durante o parto. “Essas mudanças não desaparecem imediatamente após o nascimento e, por isso, o risco de formação de coágulos permanece aumentado no puerpério”, alerta.
Um estudo realizado em 2023 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP acompanhou 7.212 gestantes hospitalizadas, que passaram por 10.694 avaliações de risco para tromboembolismo venoso. Ao longo do estudo, 10 casos foram confirmados, reforçando a importância de avaliar o risco individual durante a internação.
Risco é maior nas primeiras semanas
De acordo com a especialista, o risco de trombose não é o mesmo durante todo o período do pós-parto, sendo mais elevado logo após o nascimento e diminuindo progressivamente nas semanas seguintes. Ainda assim, o período de atenção não se encerra ao fim dos primeiros 40 dias, já que o risco pode permanecer aumentado, em menor intensidade, até aproximadamente 12 semanas após o parto.
Para a Dra. Claudia, essa fase exige atenção tanto das equipes de saúde quanto de gestantes e de seus familiares. “Depois do nascimento, é natural que boa parte da rotina gire em torno do bebê, mas a pessoa puérpera também está em recuperação. O organismo não volta imediatamente ao estado anterior à gestação, e alguns riscos permanecem presentes nas semanas seguintes”, afirma a obstetra.
Ela ainda salienta que algumas situações aumentam a probabilidade de tromboembolismo venoso, entre elas histórico pessoal ou familiar de trombose, alterações da coagulação, cesariana, imobilidade prolongada, obesidade, tabagismo, idade mais avançada e determinadas complicações durante a gestação ou o parto. “A presença desses fatores não significa necessariamente que a trombose se desenvolverá . Da mesma forma, a ausência deles não elimina completamente o risco”, pontua.
Sinais não devem ser confundidos com desconfortos do pós-parto
Na trombose venosa profunda, os sinais mais frequentes incluem dor, inchaço, sensação de calor e alteração na coloração da pele, principalmente quando aparecem em apenas uma das pernas. O desconforto surge na panturrilha ou em outras regiões do membro afetado.
Já a embolia pulmonar pode provocar falta de ar súbita, dor no peito, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura, sensação de desmaio e, em alguns casos, tosse com sangue. Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
“No pós-parto, cansaço, dores e mudanças importantes na rotina são comuns, o que pode fazer com que alguns sintomas sejam atribuídos apenas à recuperação ou à privação de sono. O alerta deve ser maior diante de alterações novas, intensas, persistentes ou que evoluem rapidamente. Dor e inchaço em apenas uma perna ou falta de ar que surge de repente precisam ser avaliados”, orienta Dra. Claudia.
Diante da suspeita de trombose, a recomendação é não massagear a região afetada nem esperar que o desconforto desapareça sozinho para procurar atendimento.
Suspeita de trombose exige avaliação médica
A especialista frisa que a investigação começa pela avaliação clínica, considerando os sintomas, o momento do puerpério e os fatores de risco da paciente. Quando há suspeita de trombose venosa profunda, exames de imagem, como o ultrassom com Doppler, são utilizados para avaliar o fluxo sanguíneo e identificar possíveis coágulos. Nos casos em que existe suspeita de embolia pulmonar, outros exames são indicados conforme avaliação médica. A escolha do método diagnóstico depende do quadro clínico e das características de cada paciente.
Quando a trombose é confirmada, o tratamento geralmente envolve medicamentos anticoagulantes, que ajudam a impedir o crescimento dos coágulos e a formação de novos. A indicação, o tipo de medicamento e a duração do tratamento devem ser definidos individualmente pelo médico, inclusive considerando aspectos relacionados ao período pós-parto e à amamentação.
Para pessoas com maior risco de tromboembolismo, medidas preventivas também podem ser recomendadas durante a gestação ou após o parto. Elas variam conforme a avaliação clínica e incluem estímulo à mobilidade e, em situações específicas, uso de medicamentos anticoagulantes.
A especialista destaca que, embora o bebê naturalmente demande muita atenção, é essencial manter os cuidados com a saúde . “O puerpério é uma fase com necessidades próprias. É importante que a pessoa tenha espaço para relatar o que está sentindo.”
Para Dra. Claudia, a informação é uma aliada . “Ela não deve transformar o pós-parto em um período de medo, mas ajudar a família a reconhecer o que merece atenção. Conhecer os sinais e procurar atendimento quando algo foge do esperado contribui para uma recuperação mais segura”, conclui.Sobre o Hospital Maternidade Paulino Werneck
O Hospital Maternidade Paulino Werneck, localizado na Ilha do Governador do Rio de Janeiro, é um complexo materno-infantil gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Sobre o CEJAM
O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS) e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. Seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.
Fonte: Beatriz Cunha
