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Dados do dr.consulta revelam aumento dos diagnósticos e concentração de 73% dos casos entre pessoas de 70 a 89 anos de 2021 a 2026
A Doença de Alzheimer, popularmente conhecida como Mal de Alzheimer, é a enfermidade neurodegenerativa progressiva mais comum entre os idosos e afeta principalmente as funções cognitivas do cérebro. Além da memória, a doença pode comprometer a fala, o raciocínio lógico, a orientação espaço-temporal, a concentração, o paladar e a capacidade de reconhecer estímulos sensoriais.
Segundo um levantamento do dr.consulta, que reúne informações de 4.132 pacientes únicos diagnosticados entre 2021 e 2026, há um maior número de pacientes diagnosticados em 2025, com 1.039 pessoas.
O cenário de 2026, no entanto, já indica que essa marca deve ser superada. Até 8 de setembro, foram registrados 1.156 atendimentos com diagnóstico relacionado ao Alzheimer. Considerando o ritmo observado até o momento, a projeção anualizada aponta para um volume cerca de 7% superior ao de 2025 em pacientes únicos.
O levantamento também revela um perfil predominantemente feminino entre os pacientes diagnosticados: 66,6% são mulheres, o equivalente a aproximadamente duas em cada três pessoas. Em relação à faixa etária, 73% dos casos estão concentrados entre pessoas de 70 a 89 anos.
Pensando nisso, o Dr. Daniel Yankelevich, neurologista do dr.consulta, explica o que é a Doença de Alzheimer, suas possíveis causas, os tipos da doença e os principais quadros clínicos.
Quais são os sintomas da Doença de Alzheimer?
O sinal mais precoce costuma ser a perda de memória recente de curto prazo: repetir a mesma pergunta ou história na mesma conversa, esquecer detalhes do dia anterior ou ter dificuldade para reter informações novas, enquanto memórias antigas permanecem preservadas por mais tempo. Como a progressão costuma ser gradual, é comum que o próprio paciente e a família atribuam esses sinais ao “envelhecimento normal” no início, por isso, vale ficar atento a um padrão que piora com o tempo, e não a um esquecimento pontual.
Vale lembrar que nem todo caso começa pela memória. Em uma parcela menor dos pacientes, os primeiros sinais percebidos são dificuldades de linguagem, de orientação espacial ou mudanças de comportamento. Entre os demais sintomas mais comuns da doença, destacam-se a perda de objetos com frequência e a dificuldade em realizar tarefas antes automáticas, além de uma limitação crescente em atividades mais complexas, como organizar contas e finanças.
Também são frequentes as perguntas e falas repetitivas, bem como a dificuldade de raciocínio e de linguagem, o que inclui o desafio de encontrar as palavras certas ou acompanhar conversas mais longas. O quadro pode evoluir para a incapacidade de elaborar ou concluir tarefas, acompanhada de irritabilidade, agressividade ou outras mudanças de humor e de personalidade. Por fim, o paciente pode apresentar isolamento social, insônia, incontinência urinária e fecal, e perda de estímulos sensoriais.
Quais são os estágios da Doença de Alzheimer?
Para melhor identificar o avanço da doença, é possível dividi-la em quatro estágios progressivos:
- inicial: ocorrem as primeiras perdas de memória e de personalidade;
- moderada: surgem as primeiras dificuldades de linguagem, de fala e de movimento;
- grave: o paciente apresenta resistência à realização de tarefas diárias, acompanhada de incontinência urinária e fecal, dificuldade para se alimentar e deficiência motora;
- terminal: ocorrem infecções recorrentes, com ausência total de fala e de locomoção.
Como é feito o diagnóstico da Doença de Alzheimer?
Em consulta com um médico geriatra ou neurologista, é feita uma avaliação aprofundada do histórico familiar do paciente, incluindo a progressão e a intensidade dos sintomas.
O médico também avalia a capacidade motora e cognitiva do paciente para determinar em qual estágio da doença ele se encontra. Antes de fechar o diagnóstico, também é comum investigar outras causas que podem gerar sintomas parecidos e que costumam ter tratamento, como depressão, distúrbios do sono, alterações da tireoide, deficiência de vitamina B12 ou efeitos de medicamentos.
Quando os sintomas ainda são leves e não comprometem a independência do paciente no dia a dia, a condição é chamada de comprometimento cognitivo leve (CCL). Nem todo caso evolui para Alzheimer, o que reforça a importância de uma avaliação médica especializada em vez de autodiagnóstico.
Existe tratamento para a Doença de Alzheimer?
O tratamento mais comum envolve o uso de medicamentos orais, geralmente inibidores da colinesterase ou memantina, disponíveis pelo SUS, associado ao acompanhamento médico e familiar contínuo do paciente. Vale lembrar que, quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil é o controle dos sintomas e mais lento tende a ser o avanço da doença.
Como prevenir a Doença de Alzheimer?
Não existe uma forma garantida de evitar o Alzheimer, mas alguns hábitos ajudam a reduzir o risco e a retardar seu avanço:
- manter a mente ativa, com leitura, jogos e aprendizado contínuo;
- praticar atividade física regularmente;
- adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e antioxidantes;
- manter uma vida social ativa, cultivando relações e convívio;
- cuidar do sono e da qualidade do descanso;
- controlar condições crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol alto;
- evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
Fonte: Beatriz Magalhães
