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Dados do Ministério da Saúde mostram avanço da doença com o envelhecimento da população; especialista explica sinais de alerta, fatores de risco e novidades no tratamento
O Brasil poderá chegar a 5,6 milhões de pessoas com demência em 2050, segundo projeção apresentada pelo Relatório Nacional sobre a Demência, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024 em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O documento estima que, em 2019, cerca de 2,71 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais viviam com algum tipo de demência.
O cenário reforça a importância do Dia Mundial do Alzheimer, que foi celebrado nesta semana, para ampliar o conhecimento sobre a doença, estimular o diagnóstico oportuno e chamar a atenção para fatores de risco que podem ser modificados ao longo da vida.
O Alzheimer é a causa mais frequente de demência e responde por cerca de 60% a 70% dos casos no mundo, considerando formas puras e mistas. A doença provoca deterioração progressiva da memória e de outras funções cognitivas e, com a evolução do quadro, pode comprometer a autonomia e a realização de atividades cotidianas.
Para a gerontóloga da Hapvida, Munique Bacanieski, da Hapvida, reconhecer os primeiros sinais é fundamental para que o paciente seja avaliado adequadamente. “O diagnóstico precoce permite identificar doenças neurodegenerativas em fases iniciais, além de reconhecer condições tratáveis que podem simular quadros de demência, garantindo melhores perspectivas de tratamento e qualidade de vida para os pacientes e suas famílias”, explica a especialista.
Nem todo esquecimento é Alzheimer
Com o envelhecimento, algumas pessoas podem apresentar esquecimentos pontuais. O sinal de alerta aparece quando essas alterações se tornam frequentes, progressivas e começam a interferir na autonomia.
De acordo com a especialista, situações como dificuldade para administrar as próprias finanças, lembrar compromissos importantes ou reconhecer caminhos familiares devem ser investigadas. “O que merece atenção é quando o esquecimento passa a ser frequente, progressivo e começa a comprometer atividades que antes eram realizadas normalmente. Nesses casos, quanto mais antes o tratamento for iniciado, mais chances dos sintomas serem atenuados”, ressalta.
O Ministério da Saúde destaca que a investigação é importante porque existem condições que podem provocar sintomas semelhantes aos da demência e que podem ser tratadas. Entre elas estão depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, determinados medicamentos e algumas outras condições clínicas.
Perda de autonomia é um sinal importante
Uma das formas de perceber que uma alteração cognitiva merece atenção é observar o impacto na rotina. Dificuldades que fazem com que a pessoa deixe de realizar atividades que antes executava sozinha podem indicar comprometimento cognitivo. A avaliação médica permite diferenciar alterações próprias do envelhecimento de quadros de comprometimento cognitivo e investigar as possíveis causas.
Quase 60% dos casos poderiam ser prevenidos?
Um dos dados de maior interesse para a conscientização sobre a doença é que, segundo o Ministério da Saúde, quase 60% dos casos de demência no Brasil poderiam ser prevenidos com o controle de fatores de risco modificáveis. A informação está destacada na página atualizada do Ministério sobre Alzheimer e outras demências e é tema de uma nova cartilha publicada pela pasta este ano.
Entre os fatores estão inatividade física, tabagismo, consumo excessivo de álcool, poluição do ar, traumatismo craniano, isolamento social, baixa escolaridade, obesidade, hipertensão, diabetes, depressão, perda auditiva, perda visual não tratada e níveis elevados de colesterol LDL.
Isso significa que os cuidados com a saúde cerebral não devem começar apenas em idade avançada. Manter atividade física, controlar doenças crônicas, cuidar da saúde cardiovascular, evitar o tabagismo, manter vínculos sociais e estimular as funções cognitivas são medidas que podem fazer parte da rotina ao longo da vida.
14 fatores para proteger a saúde do cérebro
- Praticar atividade física regularmente;
- Controlar hipertensão e diabetes;
- Manter níveis adequados de colesterol LDL;
- Evitar o tabagismo;
- Evitar o consumo excessivo de álcool;
- Combater a obesidade;
- Cuidar da saúde auditiva e tratar perdas de audição;
- Corrigir perdas visuais;
- Manter contato social;
- Estimular a atividade cognitiva;
- Buscar tratamento para depressão;
- Reduzir a exposição à poluição do ar;
- Prevenir traumatismos cranianos;
- Manter acompanhamento regular de saúde.
Para a especialista, a prevenção deve ser entendida como um conjunto de hábitos, e não como uma medida isolada. “Contato social ativo, prática regular de atividades físicas, alimentação saudável, estimulação cognitiva, acompanhamento regular em saúde, com geriatra, exames periódicos em dia e controle dos medicamentos são hábitos importantes para a manutenção da saúde cerebral.”
O Dia Mundial do Alzheimer reforça a mensagem que vai além da conscientização sobre a doença: alterações progressivas de memória não devem ser simplesmente atribuídas à idade. Identificar os sinais, buscar avaliação médica e controlar fatores de risco são medidas importantes para preservar a autonomia e a qualidade de vida pelo maior tempo possível.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial, além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.
Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.
Fonte: Cicero Da Conceição Borges
