Desaparecidos. Foto/Divulgação/Reprodução
Familiares de pessoas desaparecidas e representantes de diferentes tradições religiosas se reuniram, neste sábado (29/08), na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio, em um ato inter-religioso em menção ao Dia Internacional de Pessoas Desaparecidas, celebrado em 30 de agosto. O encontro foi marcado por momentos de acolhimento, solidariedade e esperança para as famílias que seguem em busca de seus entes queridos.
A iniciativa foi organizada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, por meio da Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas e Acesso à Documentação Básica, e contou com a presença de líderes religiosos, que levaram mensagens de apoio às famílias presentes.
Durante a abertura do evento, a superintendente Jovita Belfort ressaltou a importância de oferecer acolhimento e atendimento especializado às famílias que convivem com a ausência e a incerteza provocadas pelo desaparecimento.
— O desaparecimento abre um buraco que não tem fim e desestrutura toda a família. Por isso, é fundamental oferecer um atendimento especializado aos familiares, com apoio psicológico e social, além de uma rede preparada para atuar na busca pelas pessoas desaparecidas. Hoje, poder acolher essas famílias e fazer com que elas se sintam abraçadas e importantes enche o meu coração — destacou Jovita.
Jowayner Athayde de Albuquerque Junior, filho de Márcia Cristina França de Albuquerque, do Movimento Mães Braços Fortes, desapareceu no dia 8 de fevereiro de 2013. Para ela, o ato representa um momento de acolhimento às mães, além de uma oportunidade de manter os casos em evidência.
— Nós precisamos ter um espaço de distração. Mesmo na dor, a gente tem o direito de ser feliz, sorrir e amenizar a dor uma da outra. No desaparecimento, nós criamos forças que não imaginamos. Eu acredito que, com esse evento, nós vamos conseguir manter a busca e contribuir para o encontro de muitas outras crianças e pessoas desaparecidas — explicou Márcia.
Número de desaparecidos é maior que o de homicídios dolosos
Em 2025, foram registrados 6.331 casos de pessoas desaparecidas no Estado do Rio de Janeiro, sendo 3.666 entre janeiro e julho. No mesmo período de 2026, o número chegou a 3.903 registros, o que representa um aumento acumulado de 6% em relação aos sete primeiros meses do ano anterior.
A Região Metropolitana concentra o maior número de casos em termos absolutos. Entre janeiro e julho de 2026, foram 3.157 registros, um crescimento de 5% na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP).
— No ano passado, tivemos mais de 6 mil desaparecimentos, enquanto o número de homicídios dolosos foi de 2.940. É gritante a diferença entre os números. Isso mostra o quanto precisamos olhar para a questão do desaparecimento e fortalecer as políticas públicas voltadas para a busca e o atendimento às famílias — explicou a superintendente Jovita Belfort.
Atendimento às famílias
A Superintendência de Prevenção e Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas e Acesso à Documentação Básica acompanha, em média, 300 casos por ano. O atendimento inclui apoio psicológico e assistencial, quando necessário, além do cadastro dos casos nos canais de busca parceiros da rede, como o Disque Denúncia, o Sinalid e o sistema de reconhecimento facial, ampliando as estratégias de localização de pessoas desaparecidas.
Serviço
O Disque Cidadania e Direitos Humanos funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, para orientação e atendimento à população. A ligação é gratuita.
0800 023 4567
