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Foto/Divulgação: Alex Ramos

Audiência pública no Parlamento fluminense reuniu especialistas para discutir políticas públicas no estado e destacou a importância do atendimento multidisciplinar durante esse período da saúde da mulher

Cerca de 30 milhões de mulheres estão vivendo no período da menopausa e do climatério. O dado do IBGE foi apresentado por Adriana Ferreira, presidente do Instituto Menopausa Feliz, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta segunda-feira (24/08). Proposto pela Comissão de Saúde, o debate pontuou os desafios enfrentados pelas mulheres nesta fase e cobrou a implementação da Lei 10.742/25, que estabelece capacitação aos médicos para diagnóstico e tratamento do climatério e menopausa de mulheres em território fluminense.

Para atender essa demanda e ampliar a qualificação dos profissionais que atuam com esse público, o coordenador da área técnica da saúde da mulher da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Antonio Braga, garantiu um treinamento para as equipes municipais. “Em um mês, vamos promover um webinário com os 92 municípios sobre Atenção Primária à Saúde e treinar esse olhar mais sensibilizado voltado a essa questão”, assegurou.

Durante a audiência, outros encaminhamentos foram deliberados pela mesa, entre eles: ampliação do orçamento voltado às políticas públicas de saúde da mulher, dentro da Lei Orçamentária Anual (LOA); enviar ofício ao Poder Executivo para priorizar a implementação das políticas da saúde da mulher no estado; e dialogar com os agentes municipais, estaduais e federais no atendimento da atenção básica e demandas referentes a menopausa e climatério.

Ainda segundo Adriana, uns dos princípios que regem o Sistema Único de Saúde (SUS) são a equidade e integralidade. “Segundo pesquisas do próprio Conselho Federal de Medicina, dos 42 mil ginecologistas, apenas 12 a 15% têm especialização de capacitação de menopausa. Embora tenha código CID, a menopausa não é uma doença, mas é invisibilizada e negligenciada enquanto indicador social”, relata Adriana.

Para Daniele Moretti, do Conselho Estadual de Saúde, essa integralidade precisa virar política de estado efetiva. “É muito importante olhar para esse processo na sua forma multidisciplinar. As unidades básicas de saúde são a porta de entrada, então precisamos dialogar com os municípios. Não dá para chegarmos em 2026 e ainda vermos que a questão da saúde da mulher, principalmente em relação à menopausa e climatério, continua sendo invisibilizada”, reivindicou.

Uma nova fase do corpo

Segundo a ginecologista Beatriz Tupinambá, muitas vezes a menopausa chega na vida das mulheres sem que elas percebam o que está acontecendo, mas o fator educação pode transformar a vida delas. “A menopausa não é simplesmente a data da última menstruação, ela é uma alteração metabólica, endócrina e cerebral, e de forma alguma pode ser negligenciada. Todas as mulheres vão passar por essa fase, algumas mais cedo e outras mais tarde. Precisamos que elas sejam acolhidas e que o tratamento seja multidisciplinar. Isso inclui boa alimentação, qualidade do sono, atividade física e controle de estresse”, explicou a criadora do Método Ressignifique a Menopausa.

A importância do acolhimento nesse marco da saúde da mulher também foi fomentada pela chefe do ambulatório de climatério e menopausa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Juliana Risso. Segundo a profissional, a menopausa não marca o fim da vida produtiva da mulher, mas exige atenção médica adequada e combate ao preconceito, especialmente no período de transição neopausal. “Mulheres a partir de 35 anos que começam a sentir os sintomas são tachadas de loucas, mas essa fase é uma cascata metabólica que acontece no nosso organismo”, defendeu.

Também participaram da audiência a coordenadora de enfermagem da Maternidade da Rocinha, Zuleide Alzira de Santana; Nídia Meirelles, do projeto “A vida como ela é com endometriose”; a presidente da União Brasileira de Mulheres/RJ, Rafaela Pequeno; e representantes do Conselho Municipal de Saúde de Saquarema.

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