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Foto/Divulgação: Claudio Fernandes

Entre os destaques, mesas com Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Miriam Leitão, Juca Kfouri e Déia Freitas

A edição 2026 da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) começou nesta quinta-feira (13) e reuniu cerca de cinco mil pessoas no Reserva Cultural, em São Domingos. Entre os destaques, as mesas “Memória, resistência e novo protagonismo”, com Ana Maria Gonçalves e Jeferson Tenório, mediada por Ynaê Lopes dos Santos; “Escrita e leitura, outros suportes”, com Miriam Leitão e mediação de Mauro Ventura; “Futebol, política e democracia”, com Juca Kfouri, Lúcio de Castro e Mário Magalhães, e “Comunicar o que importa”, com Déia Freitas e Gabi Oliveira. O evento, promovido pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), tem entrada gratuita e vai até domingo (16), com programação para crianças, adolescentes e adultos.

Foto/Divulgação: Claudio Fernandes

 

Durante a cerimônia de abertura, o prefeito Rodrigo Neves destacou a tradição de Niterói nas letras, o investimento da cidade em cultura e a aposta na democratização da leitura como instrumento de transformação. Ele ressaltou que a festa literária foi concebida para crescer, se consolidar no calendário cultural e projetar ainda mais Niterói como uma cidade ligada ao conhecimento, à produção artística e ao pensamento crítico.

Foto/Divulgação: Claudio Fernandes

“Acreditamos na potência e na força da leitura e da literatura e, sobretudo, na sua democratização. Niterói tem uma tradição muito forte nas letras, com academias, escritores e intelectuais que fazem parte da história da cidade e do país. A FLIN veio para ficar e queremos que se consolide entre as grandes festas literárias brasileiras. Este ano, temos ainda a alegria de homenagear Lélia Gonzalez, uma mulher à frente de seu tempo e fundamental para o pensamento brasileiro”, afirmou o prefeito.

A presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN), Micaela Costa, ressaltou o aspecto plural do evento, cuja proposta é ser um espaço de encontro, reflexão e troca.

Foto/Divulgação: Claudio Fernandes

“A FLIN foi pensada como um espaço amplo, democrático e diverso, capaz de reunir diferentes formas de contar histórias, produzir conhecimento e fazer cultura. Aqui cabem a literatura, a ciência, o humor, a música, a oralidade, as academias, as periferias e os novos autores. É uma festa feita para todo mundo e construída coletivamente. Tivemos mais de 250 autores e expositores inscritos e decidimos ampliar o espaço para acolher todos, sem cobrança para participação. Acreditamos na literatura e na arte como instrumentos capazes de transformar Niterói e a vida das pessoas”, disse ela.

Durante o dia, alunos da rede municipal de Niterói circularam pela FLIN, aproveitando, principalmente, a programação do Espaço Nikitinhos, feita sob medida para crianças. Além da mesa “O sucesso das infâncias”, com Flávia Lins e Silva, criadora dos fenômenos “DPA” e “Os diários de Pilar”, teve apresentação do Palhaço Pic Caramelo e contação de histórias ― “Era uma vez contos e cantigas”, centrada na música, e “Não me toca, seu boboca”, que usa o lúdico para falar da prevenção à violência sexual infantil. Paralelamente, na Sala Nelson Pereira dos Santos, a Cia. Jukah de Teatro abriu os trabalhos com “O diário de João e Maria”, espetáculo que homenageou a infância e a vitalidade a partir do conto clássico.

“Ver hoje tantas crianças com livros nas mãos é emocionante, porque são sementes que estão sendo plantadas e que vão formar os leitores do futuro. A FLIN já se tornou um marco para Niterói ao valorizar a leitura, a cultura e o encontro entre diferentes gerações. Para nós, das Academias de Letras, três palavras traduzem este momento: reconhecimento pelo trabalho realizado, gratidão e esperança de que esse movimento continue crescendo. A festa mostra também a força da construção coletiva e da inclusão, reunindo instituições, autores, leitores e toda a cidade em torno do conhecimento e da cultura”, observou a presidente da Associação Fluminense de Letras, Márcia Pessanha.

Homenagem a Lélia Gonzalez – Para celebrar a antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez (1935-1994), a homenageada deste ano da Festa Literária Internacional de Niterói, a Arena FLIN recebeu duas mesas: “Brasil, Brasis”, que reuniu Ricardo Cavaliere, Zé Salvador, Neide Marinho e Denis Castanheira para um debate sobre diversidade cultural e pertencimento, e “A escrita como transformação”, com Helena Theodoro, Ana Beatriz Vieira, Heleine Fernandes e Heloísa Toller, que falaram do legado de Heloísa Teixeira e Lélia Gonzalez nas áreas de cultura, feminismo, raça e identidade.

A FLIN teve ainda mais densidade com importantes nomes da literatura e do debate público nacional. A Sala Nelson Pereira dos Santos exibiu o documentário “Helô”, de Lula Buarque de Hollanda, sobre a vida e obra de Heloísa Teixeira, seguido por mesas que abordaram a transformação pela escrita. Uma das conversas mais disputadas foi “Memória, resistência e novo protagonismo”, com Ana Maria Gonçalves e Jeferson Tenório, mediada por Ynaê Lopes dos Santos, que tratou de memória, identidade e novas narrativas para o Brasil.

A jornalista e escritora Miriam Leitão comandou a mesa “Escrita e leitura, outros suportes” na Sala Nelson, enquanto o Palco Lélia Gonzalez recebeu Juca Kfouri, Lúcio de Castro e Mário Magalhães para discutir as relações entre futebol, política e democracia. Já a Arena FLIN trouxe Lilia Schwarcz e Cida Bento, com mediação de Jota Marques, no painel “Como interpretar e discutir a sociedade?”, enquanto no Palco Territórios foi a vez de “A comunicação e a capitalização do corpo negro”, com Everton Rangel, Midiã Noelle e mediação de Carol Contextualiza, “Sobre palavras viscerais”, com Jeovanna Vieira e Mariana Salomão Carrara, mediadas por Diana Passy, e “Amazônidas”, com Wanda Monteiro, Camila do Valle e Moisés Alves.

A autora Luciana Belém de Araújo está participando da FLIN com a exposição de seus dois livros infantis, entre eles uma história sobre um menino que tem medo de bruxa e uma bruxa que tem medo de menino. Para ela, a feira é uma oportunidade de aproximar autores e leitores.

“Acho que esta semana da feira é um convite muito especial para a gente mergulhar na literatura, nas diferentes literaturas e nas muitas possibilidades que os livros oferecem. Espero que o público perceba essa riqueza, prestigie o evento e aproveite a oportunidade de conhecer os trabalhos de tantos autores”, reforçou Luciana Belém.

A Festa Literária Internacional de Niterói é um dos eventos transversais prioritários do calendário cultural do município, articulando políticas públicas de formação de leitores, estímulo à economia do livro, ocupação dos equipamentos culturais da cidade e promoção da diversidade étnico-racial. Em sua edição 2026, a FLIN consolida Niterói como referência nacional em feiras literárias gratuitas, integrando o planejamento estratégico da Prefeitura de Niterói para o fortalecimento da cidadania, do turismo cultural e da produção acadêmica e artística.

Serviço:

Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026

Até 16 de agosto (domingo)

Reserva Cultural Niterói – Av. Visconde do Rio Branco 880, São Domingos

Horário: das 9h às 21h30 (sexta e domingo) e das 9h às 22h (sábado)
Entrada: gratuita (sujeita à lotação dos espaços)

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