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Cerca de 50% dos casos de infertilidade entre casais estão ligados à saúde masculina. Entenda as origens do problema e como a medicina reprodutiva pode ajudar os homens que desejam ser pais
No mês em que se celebra o Dia dos Pais, o sonho da paternidade ganha destaque, juntamente com um tema importante que, ainda, é considerado tabu: a infertilidade masculina. De 8% a 12% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo apresentam dificuldades para gerar uma criança. Cerca de 50% dos casos de infertilidade possuem um fator masculino envolvido, sendo que a causa reside exclusivamente no homem em 20% a 30% deles.
“É fundamental que os homens enfrentem as barreiras culturais e realizem uma investigação diagnóstica no caso de o casal não conseguir conceber naturalmente”, afirma Dr. Kauy Martinez, especialista em andrologia e medicina reprodutiva da Clínica VidaBemVinda/Fertgroup. O urologista lembra que o casal deve buscar ajuda médica após, pelo menos, 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas. Se a mulher possuir mais de 35 anos, este prazo é reduzido para 6 meses de tentativas sem sucesso.
Para o homem, o primeiro passo é realizar uma consulta com um urologista, que fará avaliação física e anamnese, ou seja, uma entrevista detalhada sobre sua saúde e hábitos. O médico também irá solicitar um espermograma, que é o exame básico para verificar a saúde reprodutiva masculina, por meio do qual são analisados, em uma amostra de sêmen, volume, concentração, motilidade e formato dos espermatozoides. “Dependendo dos resultados, podem ser recomendados procedimentos adicionais, como exames de imagem, genéticos, dosagens hormonais, teste de fragmentação do DNA espermático, espermocultura e urocultura”, enumera Dr. Kauy.
O especialista explica as principais causas de infertilidade masculina:
1. Varicocele: é a dilatação anormal das veias da bolsa escrotal, presente em 40% dos homens inférteis. Com isso, o sangue dos testículos não é drenado corretamente, o que aumenta a temperatura local, prejudicando a produção e a qualidade dos espermatozoides.
2. Infecções: encontradas em até 35% dos homens com infertilidade, infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia, podem causar inflamações que prejudicam a qualidade e a produção dos espermatozoides. Em alguns casos, essas inflamações, ao cicatrizarem, entopem ou criam obstáculos nos vasos e canais por onde os espermatozoides deveriam passar, impedindo a sua saída. Além disso, infecções virais sistêmicas, como caxumba e Covid-19, afetam a fertilidade masculina ao se espalharem pelo corpo através da corrente sanguínea e atingirem diretamente o tecido testicular.
3. Alterações hormonais: o cérebro envia sinais químicos (hormônios) que funcionam como uma “ordem de trabalho” para que os testículos fabriquem espermatozoides. Se houver qualquer falha nessa comunicação, a produção é paralisada ou reduzida. O problema tem diversas origens, como síndromes genéticas, doenças congênitas, tumores benignos na glândula hipófise, uso de anabolizantes sem indicação ou acompanhamento, obesidade e pré-diabetes.
4. Anomalias anatômicas no sistema reprodutor: entre as principais, estão a criptorquidia, condição em que os testículos não descem para a bolsa escrotal e permanecem expostos às altas temperaturas do interior do corpo, e a ausência dos canais deferentes, na qual o homem nasce sem os “tubos” responsáveis por conduzir os espermatozoides dos testículos até o sêmen.
5. Estilo de vida: é apontado como um dos principais responsáveis pelo declínio global de 50% a 60% na concentração de espermatozoides no sêmen, observado nas últimas décadas. A adoção de hábitos saudáveis, como perda de peso, realização de atividade física e cessação do tabagismo e consumo excessivo de álcool, é considerada medida fundamental para homens com infertilidade sem causa aparente após avaliação médica.
Os tratamentos para a infertilidade masculina abrangem desde intervenções cirúrgicas e terapias medicamentosas até técnicas avançadas de reprodução assistida, como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI, da sigla em inglês), procedimento de fertilização em laboratório no qual um único espermatozoide saudável é escolhido e injetado no óvulo. “A medicina reprodutiva evoluiu para oferecer soluções mesmo em casos graves, como a azoospermia (ausência total de espermatozoides no sêmen), em que a microdissecção testicular permite encontrar focos de produção desses gametas com uma taxa de sucesso de aproximadamente 52%”, frisa Dr. Kauy.
Fonte: Sig Eikmeier
