1781190691

Foto/Divulgação: Moisés Bruno

Emoção e troca de experiências marcaram o encerramento da formação “Habilidades Preditoras de Alfabetização para Cuidadores de TEA”. A iniciativa teve como principal objetivo ampliar a compreensão sobre as bases do neurodesenvolvimento no Transtorno do Espectro Autista (TEA), desmistificando conceitos e destacando a importância da neuroplasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de se adaptar e aprender — por meio da mediação ativa dos cuidadores no processo de alfabetização.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento. Cada pessoa com TEA apresenta características únicas, podendo necessitar de diferentes níveis de suporte, o que torna fundamental o preparo de familiares e profissionais para uma atuação mais sensível e eficaz.

A formação contou com a participação de pais, profissionais das áreas de saúde e educação, responsáveis, acompanhantes terapêuticos e cuidadores. Aberto ao público, o curso também recebeu familiares de pessoas neurodivergentes, como pais, mães e irmãos, que atuam diretamente no cuidado no ambiente domiciliar. Entre as finalidades, destacou-se o fornecimento de ferramentas práticas para que a família possa atuar de forma colaborativa e assertiva no processo de alfabetização de crianças com TEA.

De acordo com a coordenadora da Clínica do Autista, Lucia Anglada, e a presidente da Associação Motivados pelo Autismo Macaé (MOPAM), o momento foi de grande relevância.

“Como coordenadora da Clínica do Autista e mãe atípica, entendo a importância de capacitar pais e cuidadores para que, no ambiente familiar, possam desenvolver habilidades essenciais. A previsão é que novas formações sejam realizadas mensalmente”, destacaram.

A programação desta quarta-feira (10) foi conduzida por Keylla Rosimar de Assis Alves, mãe de Hugo Alves – 13 anos, autista, neuropsicopedagoga clínica e institucional, ludopedagoga e especialista em Tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), Didática e Gestão do Ensino Superior, Educação Especial Inclusiva e TGD, que também é pessoa autista, e destacou uma abordagem sensível e prática sobre o tema.

Ela também é mestranda no Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolve pesquisa nas áreas da alfabetização de crianças com autismo e da orientação de cuidadores, sob a perspectiva neuropsicopedagógica. A temática contribuiu para dinâmicas e abordagens específicas com o público.

Emocionada, a mãe participante Ana Paula Braga Amaral, a experiência foi transformadora.

“Capacitar os pais para sermos parceiros na evolução dos nossos filhos é fundamental. Foi muito importante proporcionar essa oportunidade além do ambiente clínico. Minha filha, Alice Braga, de 5 anos, tem TEA nível 2 de suporte, e o curso agregou muito conhecimento. Percebi que errava em algumas práticas, pois, na alfabetização, ela precisa vivenciar experiências e não ser privada do mundo. Comunicação, expressões e linguagem corporal fazem toda a diferença. Com certeza, a formação vai contribuir para o avanço na educação”, relatou.

Também presente, a psicóloga social Roberta Bernardes Antunes destacou a importância da formação em sua vivência pessoal e profissional.

“Sou mãe de uma criança em investigação de TEA, e participar foi essencial. Aprender mais sobre neurodivergência e vivenciar práticas de empatia ampliou meu olhar. Muitas mães não compartilham o que sentem, e o curso possibilitou essa validação emocional, o que faz toda a diferença”, afirmou.

A coordenadora geral de Políticas para PCD, Caroline Mizurine, reforçou o compromisso com a inclusão.

“Não há como falar em inclusão sem reconhecer a dedicação e a sensibilidade da equipe da Clínica do Autista. Iniciativas como este curso reafirmam o compromisso do município com a comunidade autista, enxergando além do diagnóstico. Ao capacitar cuidadores com ferramentas científicas de alfabetização, promovemos autonomia para as famílias e investimos no futuro e na dignidade das nossas crianças”, concluiu.

 

Fonte: www.macae.rj.gov.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *