RIOBALDO © Renato Mangolin (reduzido) 024

Foto/Divulgação: Renato Mangolin

Com direção de Amir Haddad e atuação de Gilson de Barros, o projeto celebra as sete décadas da obra-prima do renomado escritor mineiro com espetáculos, oficinas, exposição de arte e ciclo de debates de uma das obras mais importantes da literatura brasileira.

 

Em 2026, um dos maiores monumentos da literatura mundial completa 70 anos de publicação, o romance Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Para celebrar a data, o projeto “Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia” propõe uma ocupação artística e reflexiva que conecta o sertão mineiro ao humano universal. O coração da iniciativa é a trilogia teatral interpretada por Gilson de Barros (indicado ao Prêmio Shell) e dirigida pelo mestre Amir Haddad. O projeto é apresentado pela Vale por meio da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura). 

 

As peças que compõem a trilogia, “Riobaldo”, “No Meio do Redemunho” e “O Julgamento do Zé Bebelo” – homenageia e mergulha profundamente nesta obra que é considerada uma das mais importantes do Brasil, traduzida para diversos idiomas, e que estarão em cartaz no Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio, de 01 a 24 de abril, com ingressos a preços populares, sempre às 19h. O público ainda poderá participar de uma programação formativa e totalmente gratuita, que amplia a experiência para além dos espetáculos e compõe a imersão no projeto de homenagem ao romance. Entre as atividades estão a oficina “Tradução da prosa rosiana para a dramaturgia”, nos dias 15 e 22/04, das 16h às 18h (30 vagas); a Exposição de Arte Grande Sertão, da artista plástica Graça Craidy, com abertura no dia 01/04, às 18h, e visitação até 26/04; e a atividade “Conversas com Guimarães Rosa”, que acontecerá em universidades — UFRJ, UERJ e UFF — e também no Colégio Pedro II.

As rodas de conversa serão realizadas nos espaços acadêmicos dessas instituições, reforçando o caráter de pesquisa, ampliando o diálogo com estudantes e pesquisadores e contribuindo para o aprofundamento crítico da obra de Guimarães Rosa para além dos limites do teatro.

 

O projeto tem um enriquecimento ainda maior para além da atuação, que é na condução do espetáculo com a mão do renomado ator, diretor de teatro e teatrólogo Amir Haddad (fundador do “Tá na Rua”, grupo teatral sediado na cidade do Rio de Janeiro). O ator expressa toda a sua admiração na condução do diretor: “fiz o recorte com a intenção de criar uma peça utilizando todas as técnicas teatrais. Luz, som, etc… No primeiro dia de ensaio, Haddad disse: “Você ficará sentado contando essa história para nós”. Fiquei perplexo, levei meses para compreender o que ele desejava. Ali residia a genialidade do Amir. Ele ensinou a Interpretação narrativa, que consiste, basicamente, em criar todo o cenário na mente do espectador. Genial!”.

 

Compreendendo a trilogia: as veredas do universo de Guimarães

 

O projeto apresenta três recortes dramatúrgicos distintos, que podem ser vistos de forma independente ou conjunta, explorando diferentes aspectos da obra. Sendo o primeiro, intitulado “Riobaldo”, que se concentra nos relacionamentos amorosos presentes no romance, especialmente o vínculo entre Riobaldo e Diadorim, apresentando ao público um dos maiores momentos amorosos na literatura brasileira. Já o  segundo espetáculo, “No Meio do Redemoinho”, instiga os espectadores  na dialética entre o bem e o mal, Deus e o diabo, que acompanham as reflexões do protagonista, Riobaldo, seus conflitos morais e psicológicos, sobre um suposto pacto com o diabo, feito em sua juventude. E o “O Julgamento de Zé Bebelo”, que apresenta um panorama do sistema de jagunços, que reinou no sertão de Minas Gerais no final do século XIX e início do século XX.  

 

O início da viagem pelo Grande Sertão 

 

O ator e idealizador revela que a ideia de levar a obra de Jão Guimarães Rosa para o teatro Rosa começou a ser concebida entre 2015 e 2016, mas, que o processo de dramaturgia se estendeu até 2019, quando produziu uma primeira versão, que foi apresentada a diversos grupos de leitura e amigos, e em eventos literários, lhe impulsionou a seguir em frente com a ideia.

 

“Em uma ocasião, participei de um evento na Biblioteca Parque, e tive a oportunidade de receber críticas de dois conceituados acadêmicos: Nélida Piñon e Antônio Cícero (in memoriam). As críticas foram construtivas e me encorajaram a apresentar o projeto ao diretor Amir Haddad, que demonstrou grande entusiasmo. A colaboração resultou na estreia da primeira peça, “Riobaldo”, em 2020, intitulada “Riobaldo, Recorte dos Amores”. Embora não estivesse nos meus planos iniciais, o sucesso da peça, me inspirou a ampliar a pesquisa para outros recortes. Assim, surgiu a segunda peça, “No Meio do Redemunho”, estreando em 2023. Em seguida, a terceira peça, “O Julgamento de Zé Bebelo”, estreou em 2024. Essa é, portanto, a cronologia da trilogia, diz Barros.   

 

Trajetória de Sucesso com o Grande Sertão

 

Desde a concepção em 2015 e estreia em 2020, o projeto já percorreu importantes palcos brasileiros e internacionais. Vencedor, em São Paulo, do Prêmio Arcanjo de Cultura, o espetáculo reafirma a vitalidade de Guimarães Rosa, transformando a “fala do povo” em uma experiência estética que emociona tanto em grandes centros quanto em comunidades quilombolas e interiores do Brasil.

 

Indicado ao Prêmio Shell RJ/2023 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia) por “Riobaldo”. No mesmo ano, estreou “No Meio do Redemunho”, aprofundando a investigação filosófica da obra do autor. Já em 2024, “O Julgamento de Zé Bebelo” completou a trilogia, com estreia no Teatro Sérgio Cardoso, SP, sendo o conjunto das três montagens reconhecido com o Prêmio Arcanjo Especial. No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, alcançando aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal — sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores — e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), que alcançou cerca de 2 mil espectadores. 

 

MiniBios

 

Amir Haddad (direção) – diretor e ator brasileiro, fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como ‘A Comunidade’ e ‘Tá na Rua’. Conhecido por sua contribuição à cena brasileira, mantém intensa atividade artística e pedagógica. Doutor Honoris Causa pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro  em 2019, referência para a classe artística, transita por todas as formas de arte, contribuindo com o teatro e o audiovisual.

 

Gilson de Barros (ator e dramaturgo) – Formado em Artes Cênicas pela UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e Amir Haddad, com quem desenvolveu a Trilogia Grande Sertão: Veredas. Premiado e indicado em importantes festivais e premiações nacionais, desenvolve trabalho de pesquisa teatral contribuindo com o conhecimento acadêmico para as artes. 

 

Ficha Técnica

 

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Recorte, idealização e atuação: Gilson de Barros

Direção: Amir Haddad

Cenário: José Dias

Figurinos: Karlla de Luca

Iluminação: Aurélio de Simoni

Programação visual: Josué Ribeiro

Fotos: Renato Mangolin

Operador de som: Pedro Azamor

Operador de luz: Mikey Vieira

 

Direção de Produção: Júlio Luz

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

Controller Financeira: Letícia Napole – Vianapole Arte e Comunicação

 

Realização: Barros Produções Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal

Patrocínio: Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet

SERVIÇO:

Projeto Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia

Temporada: (Ingressos Populares) 

Valores: R$ 40,00 / R$ 20,00 / R$ 10,00 

Período: 01 a 24 de abril de 2026 

Quartas – Espetáculo: Riobaldo – 19h 

Quintas – Espetáculo: No Meio do Redemunho – 19h 

Sextas – Espetáculo: O Julgamento do Zé Bebelo – 19h

Local: Teatro Glauce Rocha – Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro


Oficina Gratuita

“Tradução da prosa rosiana para a dramaturgia” 

Datas: 15 e 22/04 (quartas-feiras) 

Horário: 16h00 às 18h00 

Vagas: 30 

Local: Teatro Glauce Rocha – Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro

Exposição de Arte Grande Sertão 

Artista Plástica: Graça Craidy 

Abertura: 01/04 às 17h00 

Temporada: 01 a 24/04 – quarta a domingo – 14h00 às 19h00

Entrada Gratuita

Local: Teatro Glauce Rocha – Av. Rio Branco, 179 – Centro, Rio de Janeiro


Fonte: Alessandra Costa

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